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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Uma imagem, um pensamento


Há muito convivo com a curiosidade de ver, de perto, o que acontece nas ruas de Olinda, em Pernambuco, na quarta feira pós-carnaval.
Pelo que li trata-se de uma manifestação que vai muito além do carnaval.
Neste dia acontece o famoso “bacalhau do batata”.
Conta a história que um garçom, conhecido por Batata, após trabalhar todos os dias do carnaval, sem poder participar da festa, saía, na quarta feira, pela manha, com um bacalhau na mão, brincando na rua, fazendo a sua festa.
Aos poucos pessoas, que também não puderam participar do carnaval, começaram a acompanhá-lo.
Neste ano caminhei pelas ruas de Olinda na quarta feira, pós-carnaval para ver de perto o que lá acontece.
Num calor de quase quarenta graus vi uma multidão incalculável de pessoas andando pelas ruas. Andando? Andando não, pulando, cantando, rindo de forma impressionante.
Bem em meio à muvuca senti, literalmente, o cheiro da festa, cheiro de gente suada.
Gente de todo jeito, com todas as caras numa espécie de “comunhão” alegre onde todos se cumprimentam e riem constantemente.
De onde vem tanta energia? São horas e horas de festa. Eu cansei, só de olhar.
Não vi um bêbado (não significa que não existam, é claro). Vi centenas de garrafas de agua mineral.
Vi velhos, muito velhos até crianças, no colo.
Vi gente fazendo festa, simplesmente festa. Festa gratuita, espontânea e intensa.
Os bonecos gigantes encantam pela perfeição dos detalhes, as fantasias de uma criatividade impressionante.
Em meio um homem, de fraque, gravata de tope, cartola empunha uma placa: “calma! Faltam apenas 380 dias”. Esperança de que logo chegue novo tempo.
Olhei atentamente no rosto daquela gente. Com a câmera fotografei e gravei vídeos detalhados. Parecia que não estavam ali, estavam em algum lugar do sei lá onde, como que flutuando nas ladeiras íngremes e irregulares daquela cidade.
Não estou fazendo apologia ao carnaval, nem tão pouco falando contra.
Estou, sim, impressionado.
O “carimbo” de pecado, em tudo que diz respeito a carnaval é perigoso.
Prefiro ver ali pessoas com suas histórias, suas dores, suas cargas da vida, se permitindo brincar.
Ao retornar, numa parada de ônibus, vi gente cansada, mas que com altíssimo bom humor cantava: acabou, mas ano que vem tem de novo.
Não sei dizer tudo que significou ver o que vi. Algumas marcas, porem pulsam em mim.
Brincar é preciso, alegria é invenção de Deus, viver... cada um encontra o seu jeito. Concordemos ou não.
Realizei meu sonho, conheci este mundo, volto mais rico tendo tido o contato com isto que é mais do que uma festa, é uma cultura que merece aplauso e respeito.
Aos que “rotulam”, sugiro que vejam de perto!!!

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